Capítulo III
Em 1945, o Prof. João Soukup instala e organiza o Curso de Cartografia na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Campinas.
Dois anos depois, em 1947, nas faculdades do Instituto Sedes Sapientiae, as aulas sobre Elementos de Cartografia passam do 3° para o 1° ano, a pedido dos professores, de modo que, desde o primeiro ano, os alunos se interessassem pelas informações dos mapas. A partir de então houve vantagens para os cursos de Geografia e de História, pois os alunos, desde o início do curso, desenhavam pequenos croquis, e a compreensão dos mapas e cartas, pela leitura das legendas, era mais eficiente.
Nos trabalhos práticos usavam-se cópias heliográficas manuais, feitas numa prensa com vidro de um dos lados, que o sol queimava e o amoníaco revelava. Essa era a única maneira de se obter cópias de papel transparente.
As cópias heliográficas apresentavam modelos completos e instruções do exercício, também desenhadas e escritas manualmente, ao lado esquerdo do papel. O aluno, seguindo as orientações deveria copiar o desenho, no mesmo papel, do lado direito, como mostram as folhas de aulas práticas (fotos 18 a 210).
Em todas as aulas, o Prof. Soukup levava quadros murais construídos por ele, com informações complementares, que dependurava na parede da sala, dando aos alunos a oportunidade de consultá-los para a de troca de ideias, sobre o assunto estudado, com os colegas.
Quando desenhava para mostrar a maneira correta de proceder no uso dos instrumentos de desenho técnico e artístico, o Professor dava aos alunos a liberdade de movimentação em sala, e se via rodeado por eles.
O blocodiagrama foi incluído no programa e com ele os elementos de perspectiva, os planos hipsométricos e os efeitos do sombreado esbatido para melhorar a aparência tridimensional. Com esse tipo de desenho, de acordo com alguns artigos que o Prof. Soukup escreveu, houve maior entusiasmo dos alunos, o que significou um grande estímulo para o Professor.
O modelo apresentado é uma carta topográfica tridimensional, resultante da carta topográfica hipotética criada pelo Prof. Soukup para trabalhos práticos de cada aluno sobre temas específicos como cálculo de áreas, declividades, perfis, orientação, cartas náuticas, etc.
Para familiarizar os alunos com as linhas retas, curvas e circulares, foi introduzida a projeção de Mercator-Sanson, fácil de desenhar e muito útil para o conhecimento das medidas do globo terrestre.
O Prof. Soukup achou necessário que os alunos obtivessem também um pequeno conhecimento sobre levantamentos planimétricos e altimétricos e incluiu esses assuntos no programa.
Já que os mapas em curvas de nível eram conhecidos, foi possível também desenvolver a construção de perfis topográficos, quer longitudinais, quer transversais, sempre com cuidado na sobrelevação, para não haver exageros.
Em 1954, no Instituto Sedes Sapientiae, o curso de História foi separado do de Geografia, e o número semanal de aulas dobrou (4)! Então, foram incluídas aulas de campo, o que a nova diretora da Faculdade – reverenda madre Maria da Paz – apoiou sem hesitar, adquirindo aparelhagem especial, a saber: duas pranchetas, duas alidades de pínulas, prumos e todo material complementar. Esse tipo de aparelhagem também foi empregado na USP. Na foto a seguir, de Diva Beltrão de Medeiros, pode-se ver um aluno, no campus da USP, em aula prática usando a alidade de pínula sobre a prancheta, para traçar uma direção, sob a supervisão do Prof. Soukup, à direita.
Na sala de aula, sempre eram apresentados os quadros murais respectivos aos conteúdos, e tudo era posto à disposição dos estudantes.
Na Semana de Estudos Geográficos da Faculdade de Filosofia de Sorocaba, em 1955, a disciplina de Cartografia foi convidada e o Prof. João Soukup compareceu com um grande número de jovens estudantes e com 60 quadros murais, mostrando o êxito de suas aulas, desde 1943.
Assim, o Prof. João Soukup tratou da Cartografia com muito zelo, durante toda a sua vida, ministrando aulas, criando cursos e materiais didáticos nas Faculdades da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (antigo Instituto Sedes Sapientiae), FFCL de São Bento, de Campinas, Santos e FFCL de Sorocaba que, à época, pertencia à Fundação Scarpa. Também lecionou na Universidade de São Paulo.











